Fotos: Diego Vilela

Olhar desolado: Moradora tenta entender o que aconteceu na madrugada de 10 de março
Quem ainda não esteve em São Lourenço do Sul, depois da enxurrada da madrugada de 10 de março, talvez não tenha a dimensão do que realmente aconteceu na ‘Terra de todas as paisagens’. Três dias depois, o grupo Canguçu Off-Road Expeditions enfrentou muito barro pela ERS-265, em uma jornada que não tinha a adrenalina e aventura como motivação. Desta vez, os jipeiros estavam mobilizados pela solidariedade aos desabrigados do município atingido. Nos reboques puxados pelos veículos estavam galões de água mineral, caixas de leite e alimentos.
-> Os 16 pontos de coleta em Canguçu e a lista de doações mais urgentes
O repórter Diego Vilela acompanhou o grupo e conferiu de perto a crítica situação. Na chegada ao Clube São Lourenço foi possível de se ter noção do que havia acontecido. Centenas de pessoas participam da operação de reconstrução de famílias e da cidade por inteira. A ampla estrutura física recebe todo tipo de doação, que passa por um rápido processo de classificação e logo é destinada aos locais mais necessitados. Por inúmeras vezes ouvia-se pelos corredores o desejo de moradores em colaborar com as vítimas, seja qual fosse a forma. “Fiquei sabendo que estão precisando de voluntários. Viemos aqui para ajudar vocês”, diziam duas meninas a um funcionário da Defesa Civil.
-> Trânsito em São Lourenço está em pista dupla
Esse é o espírito da população de São Lourenço do Sul. Assim que os jipeiros deixaram os mantimentos no local, carregaram seus reboques com os kits montados pela Defesa Civil e partiram para entidades que aguardavam qualquer tipo de ajuda. O destino era o Lar dos Velhinhos Santo Antônio, na Praia das Ondinas, onde famílias faziam filas aguardando a solidariedade de conterrâneos e de municípios da região.
Potencial econômico do turismo sucumbe à natureza
Conhecida em todo o Rio Grande do Sul pelas praias de água doce e pelos atrativos turísticos e culturais, principalmente durante a temporada de verão, agora a Pérola da Lagoa vê seus potenciais econômicos sucumbirem à força da natureza. O maior evento do município, o Reponte da Canção, estava previsto para acontecer no final deste mês. No entanto, de acordo com o prefeito José Nunes, o evento deve ser transferido para o mês de junho. “É impossível dar continuidade ao planejamento de um grande evento como este neste momento de dor. Estamos iniciando a reconstrução de um município que, há alguns dias, era admirado pelas belezas naturais”, afirmou.
-> Defesa Civil anuncia lista de doações mais urgentes aos desabrigados
A economia lourenciana iniciará um longo trabalho de recuperação. Pelos próximos meses, não será no turismo que os moradores encontrarão aquelas fartas rendas dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Primeiramente, o objetivo é reconstruir. O prejuízo inicial é tanto, que o vice-prefeito Daniel Raupp mobiliza uma força-tarefa junto a autoridades estaduais e federais para reunir verbas. “Já estimamos perdas gerais de mais de R$ 443 milhões. E nesse levantamento não estão contabilizados os prejuízos de infra-estrutura da Praia da Barrinha, que foi o local em que as ruas foram mais atingidas pela chuva”, avalia.
Sofrimento amenizado pela esperança de reconstrução
Caminhando pelas ruas, a impressão que se tem é de que todos os moradores decidiram mudar-se de casa no mesmo momento. Móveis como guarda-roupas, sofás, mesas, cadeiras e até aparelhos eletrônicos estão amontoados na frente das casas. Carros estavam estacionados por todos os lugares com as portas e porta-mala abertos para aproveitar o forte sol que fazia na tarde de sábado (12). Um mutirão de pessoas caminhava de um lado para o outro sem parar. Ora ajudando os vizinhos que perderam quase tudo a recuperar a fé e seguir em frente, ora tentando unir forças para reconstruir a própria vida.
Apesar de todo o sofrimento, não raramente via-se um sorriso estampado nos rostos dos atingidos. Talvez seja uma forma de amenizar a dor da perda de anos de trabalho, talvez seja o consolo de não ter perdido um familiar na enxurrada.
-> Envie uma mensagem de solidariedade às vítimas da enxurrada
A Praia das Ondinas, conhecida como Barrinha, é a região mais atingida. Lá, as ruas foram engolidas por profundas crateras. Onde era possível entrar na água, agora se vê uma camada de terra de cerca de 50 metros de comprimento, onde é possível caminhar até a extremidade, sentar e lavar as roupas cobertas de lodo, como se estivesse sentado em um trapiche. Vimos duas famílias fazendo exatamente isso, em certo momento.
As imagens abaixo mostram aos leitores que costumam se banhar na água doce da Praia das Nereidas ou das Ondinas um pouco do drama que vive São Lourenço do Sul:



Olhar desolado: Moradora tenta entender o que aconteceu na madrugada de 10 de março
Quem ainda não esteve em São Lourenço do Sul, depois da enxurrada da madrugada de 10 de março, talvez não tenha a dimensão do que realmente aconteceu na ‘Terra de todas as paisagens’. Três dias depois, o grupo Canguçu Off-Road Expeditions enfrentou muito barro pela ERS-265, em uma jornada que não tinha a adrenalina e aventura como motivação. Desta vez, os jipeiros estavam mobilizados pela solidariedade aos desabrigados do município atingido. Nos reboques puxados pelos veículos estavam galões de água mineral, caixas de leite e alimentos.
-> Os 16 pontos de coleta em Canguçu e a lista de doações mais urgentes
O repórter Diego Vilela acompanhou o grupo e conferiu de perto a crítica situação. Na chegada ao Clube São Lourenço foi possível de se ter noção do que havia acontecido. Centenas de pessoas participam da operação de reconstrução de famílias e da cidade por inteira. A ampla estrutura física recebe todo tipo de doação, que passa por um rápido processo de classificação e logo é destinada aos locais mais necessitados. Por inúmeras vezes ouvia-se pelos corredores o desejo de moradores em colaborar com as vítimas, seja qual fosse a forma. “Fiquei sabendo que estão precisando de voluntários. Viemos aqui para ajudar vocês”, diziam duas meninas a um funcionário da Defesa Civil.
-> Trânsito em São Lourenço está em pista dupla
Esse é o espírito da população de São Lourenço do Sul. Assim que os jipeiros deixaram os mantimentos no local, carregaram seus reboques com os kits montados pela Defesa Civil e partiram para entidades que aguardavam qualquer tipo de ajuda. O destino era o Lar dos Velhinhos Santo Antônio, na Praia das Ondinas, onde famílias faziam filas aguardando a solidariedade de conterrâneos e de municípios da região.
Potencial econômico do turismo sucumbe à natureza
Conhecida em todo o Rio Grande do Sul pelas praias de água doce e pelos atrativos turísticos e culturais, principalmente durante a temporada de verão, agora a Pérola da Lagoa vê seus potenciais econômicos sucumbirem à força da natureza. O maior evento do município, o Reponte da Canção, estava previsto para acontecer no final deste mês. No entanto, de acordo com o prefeito José Nunes, o evento deve ser transferido para o mês de junho. “É impossível dar continuidade ao planejamento de um grande evento como este neste momento de dor. Estamos iniciando a reconstrução de um município que, há alguns dias, era admirado pelas belezas naturais”, afirmou.
-> Defesa Civil anuncia lista de doações mais urgentes aos desabrigados
A economia lourenciana iniciará um longo trabalho de recuperação. Pelos próximos meses, não será no turismo que os moradores encontrarão aquelas fartas rendas dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Primeiramente, o objetivo é reconstruir. O prejuízo inicial é tanto, que o vice-prefeito Daniel Raupp mobiliza uma força-tarefa junto a autoridades estaduais e federais para reunir verbas. “Já estimamos perdas gerais de mais de R$ 443 milhões. E nesse levantamento não estão contabilizados os prejuízos de infra-estrutura da Praia da Barrinha, que foi o local em que as ruas foram mais atingidas pela chuva”, avalia.
Sofrimento amenizado pela esperança de reconstrução
Caminhando pelas ruas, a impressão que se tem é de que todos os moradores decidiram mudar-se de casa no mesmo momento. Móveis como guarda-roupas, sofás, mesas, cadeiras e até aparelhos eletrônicos estão amontoados na frente das casas. Carros estavam estacionados por todos os lugares com as portas e porta-mala abertos para aproveitar o forte sol que fazia na tarde de sábado (12). Um mutirão de pessoas caminhava de um lado para o outro sem parar. Ora ajudando os vizinhos que perderam quase tudo a recuperar a fé e seguir em frente, ora tentando unir forças para reconstruir a própria vida.
Apesar de todo o sofrimento, não raramente via-se um sorriso estampado nos rostos dos atingidos. Talvez seja uma forma de amenizar a dor da perda de anos de trabalho, talvez seja o consolo de não ter perdido um familiar na enxurrada.
-> Envie uma mensagem de solidariedade às vítimas da enxurrada
A Praia das Ondinas, conhecida como Barrinha, é a região mais atingida. Lá, as ruas foram engolidas por profundas crateras. Onde era possível entrar na água, agora se vê uma camada de terra de cerca de 50 metros de comprimento, onde é possível caminhar até a extremidade, sentar e lavar as roupas cobertas de lodo, como se estivesse sentado em um trapiche. Vimos duas famílias fazendo exatamente isso, em certo momento.
As imagens abaixo mostram aos leitores que costumam se banhar na água doce da Praia das Nereidas ou das Ondinas um pouco do drama que vive São Lourenço do Sul:
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